OFENSIVA 1906 - Porque há mais Sporting além do Project Finance

Movimento Independente de Reflexão Sportinguista

2006/02/09

 

Compromisso: Sporting Clube de Portugal


Compromisso: Sporting Clube de Portugal

OFENSIVA 1906
Após diversos anos de propalados projectos e investimentos delineados com um intuito comercialista sob a capa de um Sportinguismo de índole “financeira”, a verdade é que a alienação patrimonial afigura-se cada vez mais como uma fuga para a frente e não como uma real solução.

A verdade é que foi-se apoderando um torpor suicida em alguns sectores da família Sportinguista, na medida em que se foram depositando esperanças e confiança nos “sportinguistas profissionais” e tecnocratas, que ao longo da última década foram delapidando não só o património histórico do SCP, mas também a própria essência do Sportinguismo, que no seu expoente máximo se revelou num estóico fincar de fileiras, aquando dos 18 infames anos de travessia de deserto, no que concerne especialmente ao futebol profissional.

As décadas de 80 e 90 do século passado, pela escassez de sucessos desportivos, foram suportadas e superadas pelo Sportingusimo, dos milhões que nunca abandonaram o seu CLUBE, e repita-se até à exaustão, pelo CLUBE: Sporting Clube de Portugal!

A meio da década de 90, para muitos Sportinguistas, que nunca fizeram operações coração ou pedidos na rua de mão estendida, um pseudo sebastianismo que pairava sobre o clube materializou-se no denominado “Projecto Roquette”, na esperança da conquista de títulos, na solidificação do clube, desportiva e financeira, contudo esse advento da boa nova ao estilo bíblico a par da esperança do universo leonino era acompanhado pela sombra da desinformação para a larga maioria dos sócios e adeptos do SCP.

Essa desinformação referia-se a uma realidade cuja dimensão perniciosa veio aos poucos a revelar-se contra o espírito do nosso clube, isto é, a tentativa da substituição do adepto fervoroso, pelo adepto dispendioso, a substituição do adepto do SCP ecléctico e pujante, pelo adepto da equipa de futebol, a substituição do adepto para quem o estádio José de Alvalade era a segunda quando não a primeira casa, pelo adepto para quem não existe O estádio, mas a “Loja” Alvalade XXI.


Entretanto tivemos presidentes a prazo; empurrados e co-optados, amiúde eleitos nas brumas da apatia e da cegueira carneirista, induzida pela “sacrossanta elite” tecnocrata e economicista, da finança bacoca, a qual foi deixando cair a máscara da sua aparente intangibilidade a cada insulto dirigido ao “vulgar” adepto leonino, aquele que foi caracterizado por essa elite “iluminada” como o adepto que se trata por “filho da puta”.

A vulgaridade reside sim, em alguns adeptos “camaroteiros”, os delirantes da casta dirigente, do paternalismo fácil, tão fácil como lhes parecia ser vendar os olhos, tapar a boca ou os ouvidos daqueles para quem o Sporting Clube de Portugal, não apenas uma marca, um produto, um meio de ascensão pessoal, mas uma paixão para a vida inteira, uma religião!

Por tudo isto e acima de tudo, para combater a mistificação e o “caminho das pedras” que era indicado aos Sportinguistas por pseudo visionários endeusados e que agora mais se assemelha a um lodaçal economico-financeiro e desportivo, um grupo de fiéis adeptos leoninos, nem mais nem menos inteligentes ou superiores aos seus pares, decidiu encetar uma luta pelo sempiterno Espírito Sportinguista, que pelo acima descrito foi esmorecendo, como que sedado por promessas de uma dita evolução e actualização à realidade do economicismo, esquecendo os 90 anos anteriores de Sporting Clube de Portugal, assim nasceu o movimento independente de reflexão Sportinguista: Ofensiva 1906.

Nada representa melhor o espírito e a filosofia Sportinguista que o seu ideário: “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória...Eis o Sporting Clube de Portugal”, mais do que projectos financeiros, o SCP precisa de reencontrar a sua filosofia e a sua própria história no dealbar do centenário, é nestas premissas que reside a força do nosso clube, pois mais do que nunca, nas palavras ora adaptas do poeta “...falta cumprir o Sporting Clube de Portugal”, como aliás sempre faltará, em cada nova geração de Sportinguistas, porque o SCP é e sempre será eterno.


Pelo exposto, e atendendo às eleições que se avizinham no nosso clube, a todos os candidatos, candidatos a candidatos e pseudo candidatos, a Ofensiva 1906 volta a expressar, como sempre fez desde a sua génese, a sua firme determinação na contínua construção de um SCP cada vez maior, renovado, mas fiel às suas origens e ímpar história, e assim estes objectivos passarão sempre pelo respeito pela opinião dos associados e adeptos em geral; por uma visão do adepto enquanto apaixonado pelo clube e não como um “encarteirado”, um detentor de cifrões; por um respeito pelo passado do Clube sob pena de um presente sem rumo ou de um futuro adiado; por um regresso da família Leonina a um espaço familiarmente Sportinguista, isto é, um estádio que seja a sua casa e não “a loja da esquina”, sendo que a reboque desta última afirmação, é imperiosa um séria e esforçada aposta no eclectismo histórico do clube que passará impreterivelmente pela criação de uma Casa Própria Sportinguista para as modalidades amadoras, nomeadamente as modalidades de pavilhão existentes a título sénior: Futsal e Andebol, mas também pelo regresso do Hóquei em Patins, cujo recente epílogo envergonhou os Sportinguistas, e mais ainda aqueles que lutavam pela existência da secção, perante a indiferença autista daqueles que pensavam reinar no SCP até à poucos meses.

A Ofensiva 1906 tem vindo, ao longo dos curtos mas interventivos anos da sua existência, a bater-se pelo eclectismo do nosso clube, apresentou sugestões e diversas propostas a quem de direito, divulgou-as publicamente, o que para quem nos queria denegrir como simples críticos destrutivos resultou como bofetadas de luva branca, esses vão passando, o SCP fica, assim como queremos que no que concerne ao futebol, a via do dito Futebol Moderno seja entendida como uma opção auto-destrutiva do mesmo, tantos são os exemplos no nosso país como além fronteiras.


Daí que urge uma nova política de acesso aos estádios, política esta que passará inevitavelmente por uma real reforma da visão actual do futebol, com uma adequação dos preços dos ingressos à realidade sócio-economica, conjugada com uma alargada convergência de esforços tendente à alteração dos actuais absurdos horários dos jogos, cujo resultado prático tem sido a constatada desertificação dos estádios, apenas assim poderá ser possível a presença massiva dos Sportinguistas, e não só, em todos os estádios portugueses, porque a mudança não é apenas possível, é absolutamente necessária.
Urge ainda a mobilização do Universo Sportinguista, de uma forma real, empolgante, vibrante, e aqui a intervenção do clube junto dos núcleos tem de ser activa e não figurativa, a jantar anual da Batalha não chega, devem ser criados mecanismos, facilidades e incentivos que possibilitem a aproximação dos milhões de adeptos espalhados por Portugal e pelo Mundo ao Clube, só assim se poderá engrandecer o SCP, mantendo-o vivo, sendo que os diversos contactos mantidos pela Ofensiva 1906 com alguns núcleos de norte a sul de Portugal revelaram um evidente mau estar e desmoralização perante a política desenvolvida pelos dirigentes do SCP nos últimos anos, sendo evidente, a desmobilização dos Sportinguistas nos jogos em que o SCP actua na qualidade de visitante.

Não poderíamos deixar de fazer menção ao Jornal oficial do Clube que tem vindo a sofrer investidas tendentes à sua extinção, não queremos acreditar que um elemento histórico, património comum de uma memória colectiva quase secular esteja a ser colocado em cheque, para a Ofensiva 1906 e cremos que para a larga maioria dos Sportinguistas, a existência do Jornal do Sporting é um imperativo moral e uma necessidade inquestionável.

A menção constante na presente ao Clube e a ausência de qualquer referência explícita à SAD não é acaso ou esquecimento, simplesmente a Ofensiva 1906 é composta por sócios do Sporting Clube de Portugal e não por accionistas, é o Clube que está à beira dos cem anos, e o acrónimo SCP estará sempre sobre o leão.


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